03 Setembro 2026
Imobiliário, Notícias

REABILITAÇÃO URBANA – Atividade cresce mais de 10% e consolida tendência

O setor da reabilitação urbana em Portugal continua a afirmar-se como um dos motores do mercado imobiliário e da construção. Segundo os dados mais recentes do Barómetro da Reabilitação Urbana, da AICCOPN (Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas), o segmento manteve uma trajetória de crescimento consistente ao longo do primeiro semestre de 2026, com o índice relativo ao nível de atividade a registar uma variação homóloga de 10,7% em junho.

Este desempenho positivo reflete a crescente aposta na reabilitação de edifícios, impulsionada por fatores como a procura por habitação em áreas centrais, os incentivos fiscais (como o IVA a 6% para obras de reabilitação) e a valorização do património imobiliário existente.

Carteira de encomendas acompanha o crescimento

A par do nível de atividade, a carteira de encomendas das empresas do setor também registou uma evolução favorável, com um aumento de 9,9% face ao período homólogo. Este indicador sugere que a procura por serviços de reabilitação se mantém aquecida, com os empresários a anteciparem um ritmo de trabalho sustentado nos meses seguintes.

produção contratada, que traduz o período de atividade assegurada a um ritmo normal de execução, situou-se nos 8,7 meses em junho. Embora este valor represente uma ligeira descida face aos 9,7 meses registados no período homólogo, mantém-se num patamar que garante estabilidade ao setor.

Licenciamento: Uma leitura cuidadosa

Em sentido inverso aos indicadores qualitativos, os dados do INE revelam uma quebra homóloga de 11,6% no licenciamento de obras de reabilitação entre janeiro e maio de 2026. Esta quebra decorre da contração verificada tanto no segmento residencial (-10,6%) como no não residencial (-13,1%).

No entanto, é importante contextualizar este dado. O licenciamento abrange exclusivamente as operações sujeitas a controlo prévio municipal, não refletindo a totalidade das intervenções de reabilitação efetuadas. Muitas obras de menor dimensão, como remodelações interiores, substituição de caixilharias ou melhorias de eficiência energética, não necessitam de licenciamento municipal e, por isso, não são captadas por esta estatística.

O que explica o crescimento?

A reabilitação urbana tem sido alvo de um enquadramento legislativo e fiscal favorável. A possibilidade de deduzir o IVA a 6% em obras de reabilitação, os benefícios fiscais associados às Áreas de Reabilitação Urbana (ARU) e os apoios do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) têm estimulado a procura por este tipo de intervenções.

Além disso, o mercado imobiliário tem demonstrado uma clara preferência por imóveis reabilitados. Compradores valorizam a eficiência energética, o conforto e a estética contemporânea, o que torna a reabilitação uma opção atrativa tanto para particulares como para investidores.

Perspetivas para o setor

A tendência de crescimento da reabilitação urbana parece estar consolidada. Com a escassez de solo para construção nova em muitas áreas urbanas e a crescente preocupação com a sustentabilidade, a reabilitação de edifícios existentes surge como a resposta mais lógica e eficiente para as necessidades habitacionais do país.

A expectativa é que o setor continue a crescer, ainda que a um ritmo possivelmente mais moderado, à medida que o mercado se ajusta às novas dinâmicas de procura e oferta.

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